terça-feira, 16 de agosto de 2011

cinema - agosto/ 2011

A imoralidade em "Assalto ao banco central"

Se para o escritor argentino Jorge Luís Borges "imagens não passam de incontinências do visual", então o cinema possui em si a capacidade de ser uma arte infinita e mutante. Quando analisamos um filme, os principais argumentos são uma boa direção, bom trabalho de edição (se possível com cortes invisíveis) e principalmente um bom roteiro. O público gosta mesmo é de boas histórias. Muitas vezes esquecemos a qualidade dos atores, usando a percepção apenas para os protagonistas ou famosos, ou seja, os que já fazem sucesso na televisão e nos programas de entretenimento.
O fato que requer mais atenção no filme do diretor Marcos Paulo, estreante em cinema, é a qualidade de todo elenco, os atores instauram uma nova fase para a cinematografia nacional, agora com preparação de elenco e atores de qualidade.
Assalto ao Banco Central” é baseado em fatos reais. Enfoca o maior assalto a banco no Brasil e o segundo maior assalto a bancos do mundo ocorrido em 2005 quando foram roubados R$ 164 milhões do Banco Central na cidade de Fortaleza. A preparadora de elenco Fátima Toledo (“Central do Brasil” e “Tropa de Elite”), precurssora da profissão no país e com escola constituída em São Paulo, mais uma vez faz um trabalho impecável e profundo, ao transformar  os personagens em uma quadrilha de marginais armados e violentos, sem perder sua comicidade, como revelam os atores Gero Camilo (“Bicho de Sete Cabeças” e “Carandiru”) e Tonico Pereira (“A Grande Família”).  Ambos estabelecem uma disputa entre o "especialista em buracos de fugas" e o "engenheiro civil comunista", disputa essa que confere leveza ao bando.
O ator Vinícios Oliveira (“Central do Brasil”), que já trabalhou com Fátima e mostrou amadurecimento no filme “Linha de Passe”, apresenta em “Assalto ao Banco Central” a construção de um personagem caricato, um fanático religioso que, de tão ingênuo, chega a ser cômico ao perceber que o plano do roubo proíbe sair da quadrilha, uma determinação do chefe do bando, o protagonista Barão, interpretado por Milhen Cortaz.
O elenco ainda traz brilhantemente Eriberto Leão, Giulia Gam, Lima Duarte e Hermilia Guedes.
O filme enfatiza a ideia de um país com justiça arcaica e sem estrutura, mostra a diferença dos criminosos com diploma e os cavadores de buraco. Vale a pena ser visto porque representa uma ótima oportunidade para entender o que é uma boa ficção feita a partir de fatos reais.

3 comentários:

  1. Je Teixeira - Estou louca para ver :)

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  2. Grande Neno Miranda,
    excelente resenha.

    um forte abraço,
    Tiago

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